Aliás, já a tenho nas mãos.




Como as folhas no Inverno caem, o meu coração também cai.
Está seco e torna-se fraco para aguentar. Para aguentar as palavras que saem da tua boca. As reacções que tens. A maneira como me tratas. A maneira como interferes na minha vida.
Cai dentro do meu corpo. O meu coração cai cada vez mais.
Estás bem na vida. Considero que também estou, apesar de o meu coração continuar vazio a vadiar no meu corpo. Sinto que já não me pertence mais.
Como no Outono as folhas caem, a minha folha vital também cai.




Aliás, já a tenho nas mãos.


Logo atrás de ti

"Esta dor não passa quando adormeço
chora ao pé de mim
irremediável

alguém nos toca no ombro e
damos por nós mais sozinhos

o meu lugar na morte
é junto da janela
logo atrás de ti"


mário rui de oliveira

incapacitada


E é assim que fico quando tudo me foge pelos dedos. E é assim que fico quando vejo tudo avançar e sou eu a única parada no mesmo lugar. É assim que fico quando não tenho nada em que focar, quando atinjo a impaciência e quero mais. Quero ser mais. Quero ter mais. Quero dizer e poder mais. Quero ter-te. E é assim que fico quando tudo me escapa e não consigo agarrar, por qualquer razão que seja... tal razão que nao está ao meu alcance. É assim que fico quando é já de noite e sinto que nada de importante fiz enquanto o sol ainda brilhava. Quando me encho de nada e desligo, desligo... E é sempre o mesmo, e é por isto que fico assim.

facto II

Perco esperanças, ganho juízo.