é que eu às vezes esqueço-me das pessoas e só ouço os meus passos no chão porque vejo que estou sozinha, extremamente. e é por causa da chuva que eu fico em casa, e da constipação que me assolou e lá estou eu a argumentar os meus inevitáveis, eu sei.
é que eu dou por mim a ouvir o silêncio e os estalinhos da madeira.
é que eu já tenho muitas saudades e passou pouco tempo. eu vi os olhos dele e apeteceu-me arrancá-los e guardá-los comigo.
é que eu às vezes dou conta que escrevo coisas mesmo sem sentido.
Na minha janela nunca entraram borboletas
e é porque a minha janela é alta e abre um mundo frio
E as borboletas preferem lugares baixos e quentes
andam junto da relva e das flores
E eu também sou assim e que grande porra!
Eu prefiro andar cá por baixo e não quero subir muito
a queda pode ser grande e eu não tenho ninguém que me apanhe
e é porque a minha janela é alta e abre um mundo frio
E as borboletas preferem lugares baixos e quentes
andam junto da relva e das flores
E eu também sou assim e que grande porra!
Eu prefiro andar cá por baixo e não quero subir muito
a queda pode ser grande e eu não tenho ninguém que me apanhe
"era tão bom assim que não podia ser de outra maneira"
enquanto caminhamos ouço-a palavrar. é isto que tanto gosto nela. ela fala de um amor que sente e já nem sente e eu penso que ela me rouba as palavras. mantenho-me calada, ela fala tudo por mim e eu gosto muito dela. ambas nos sentimos assim, parvas por termos esta ferida antiga e estúpidas por a ferirmos ainda mais. o céu agora está cinzento e pesado e já chove, nós chovemos também e as lágrimas caem e sujam o chão. [o chão está sujo]
eu acabei de calcar um isqueiro e deparei-me que também calquei tudo aquilo que nos acendia, calquei todo o nosso amor. e aqui agora está escuro, andamos às escuras. ao menos estes paralelos partidos e imundos nos indicassem o caminho. ao menos esse caminho fosse longo, porque ela fala bem e eu quero continuar a ouvir.
no meu abraço vai haver sempre espaço para ti
Se a porta estiver fechada é porque já estou a dormir, mas podes sempre entrar pela janela que, para ti, vai estar sempre entreaberta. Quando entrares vais ter as minhas mãos ao teu dispor, para te gastarem a pele dos braços, para te arrancarem os males da tua cabeça, para tapar a tua boca das asneiras que por vezes dizes. Podes fumar que eu deixar-te-ei. Podes beber que eu deixar-te-ei. Gastaremos as nossas frágeis mãos à força de as apertarmos. O meu apartamento vai ter um sofá pequeno onde caberemos bem, cheiinho de almofadas para amparar as nossas quedas. Se não fossem as almofadas, caíamos no chão, muito provavelmente. E sim, nesse momento vamos poder ser dramáticas porque o apartamento é meu e se no momento se propiciar. Independentemente de ser noite, podemos gritar bem alto durante o tempo que for preciso, até ficarmos roucas se aguentarmos. No entanto, guardarei um niquinho de voz para te dizer que és parte de mim. É como se o meu coração fosse bem pequeno feito de bocadinhos, uns estão bem guardados, bem no sítio, outros já andam para aqui dentro soltos, perdi-os, arrancaram-mos e doeu. Eu sei que tu sabes.
partilha
começou a chover de repente, todos os vizinhos apressaram-se a fechar as janelas, eu abri as minhas e gritei: cheira a terra molhada!
Mafalda (do meu coração) diz: ia agora escrever que chovia no blogue.
Mafalda (do meu coração) diz: ia agora escrever que chovia no blogue.
tenho dito
É uma espécie de relaxamento. Tenho o meu rabo bem assente na minha cadeira amarela e os pés, meios secos, de fora da janela. Leio alguma coisa, sempre. Do jardim, quem vir os meus pés, ainda pensa que são como um baloiço onde os pássaros se sentam e picam a minha pele. Como se quisessem arrancá-la. Se conseguirem, levem de mim todo o mal, aquele que teimo em guardar dentro de mim, e deixem-me desfrutar o ar que aqui respiro. Quando andas por estas zonas, sei também que o respiras. À minha frente, no campo em frente, pastam umas vacas, nada de bois, nada de poucas vergonhas. E há quem diga que este ar cheira a bosta, eu cá não acho. É do hábito, é o que respiro, sempre.
Chegou a hora de recolher os pés, shô pássaros, que já tenho os pés frios. Vou-me embora, é o costume, e o que faço, sempre.
Vou pensar no que ar que respiramos, é o hábito, o costume, o que faço, sempre.
Chegou a hora de recolher os pés, shô pássaros, que já tenho os pés frios. Vou-me embora, é o costume, e o que faço, sempre.
Vou pensar no que ar que respiramos, é o hábito, o costume, o que faço, sempre.
(nice and sweet, the gift)
You said "- I want to die for you"... You cry and I'm repeating all the stories again. You´re standing there for so long, And it's so hard, That I finally found, It´s heaven in your eyes. Innocence? Why? Why we survive? It´s you, and your three milion ways to make noise, You really don't know, You really don't see, You really have got a light, (I'll find you)... Because you're a nice and sweet boy And I wrote this sing just for yourself. And you have a nice and sweet girl. You are a nice and sweet boy, I wrote this song just for yourself... Just say you can lie, Dissolving all the truth of your love... But you can't say no, You try to, And I try to be around you... Substitute your only trouble by a bottle full of water just to prove this love about you... If someone ever found her, Put a sign you - "There's only one love. It's only one love, And it's only your love."
"Será sempre tarde para nós"
shhhhhhhhhhh
eu viverei em segredo, bem silenciosamente, e não vais ter que me ler, ou ouvir falar
não te vais magoar nem eu me vou magoar
não darás por mim, vou ser bem piquinininha no teu gigante mundo!
não te vais magoar nem eu me vou magoar
não darás por mim, vou ser bem piquinininha no teu gigante mundo!
{Que o vento leve tudo aquilo que me deixaste, que as minhas mãos já não aguentam, já estão cansadas, enrugadas de rasgar a pele seca enervada, de estancar as veias, de tentar guardar tudo cá dentro, de prender!
Que o vento leve tudo que há muito tempo morreu e porque o nosso amor morreu e quem o matou fui eu.
E que o vento leve tudo aquilo que nem agora nem nunca me pertenceu.
E que porra, aproveita e faz boa viagem!}
Que o vento leve tudo que há muito tempo morreu e porque o nosso amor morreu e quem o matou fui eu.
E que o vento leve tudo aquilo que nem agora nem nunca me pertenceu.
E que porra, aproveita e faz boa viagem!}
não, eu não te pagava da minha memória
Dream brother, my killer, my lover,
eu olho para trás e vejo-te, de cara desfocada e deslavada, a desvanecer a cada dia que passa, mas não, não meu amor, eu não te apagava da minha memória, não fosse eu quem sou (...)
eu olho para trás e vejo-te, de cara desfocada e deslavada, a desvanecer a cada dia que passa, mas não, não meu amor, eu não te apagava da minha memória, não fosse eu quem sou (...)
.jpg)
sala de ensaio
“Estás debaixo da pele”
Desculpa
És uma gota que vai secando
Uma lágrima que evapora
Andas no ar
E cais por aí
Andas por aí
Cais como pó pelos móveis
Pelos livros em branco
Que me parecem brancos
Pelas molduras vazias
Pela televisão apagada
Pelos copos vazios
Cais por aí
Andas, constantemente, por aí
E não há nem vassoura nem pano que te limpe
Dou por mim a reflectir sobre paradoxos
A falar em paradoxos
Leio e desleio
Como se existisse
Como se houvesse algo
És apenas aquilo que já não há
Que já nem existe
Mas continuas a ser o pó nas revistas
Nas canetas e nos pratos que em tempos usavas
Nas gavetas outrora desarrumadas
No lado direito da cama ainda permanece a forma do teu corpo
Ainda está lá a tua almofada com a nódoa que não quero tirar
O teu pijama sujo e usado pelo armário
Ainda
Ainda
(∞)
Não me vás. Fica.
Por favor
Deixa a mala aqui
Não arrumes as tuas coisas
Convida-me
Conta
Não te rias daquilo que não sei
Bom dia
Amo-te
Desculpa
És uma gota que vai secando
Uma lágrima que evapora
Andas no ar
E cais por aí
Andas por aí
Cais como pó pelos móveis
Pelos livros em branco
Que me parecem brancos
Pelas molduras vazias
Pela televisão apagada
Pelos copos vazios
Cais por aí
Andas, constantemente, por aí
E não há nem vassoura nem pano que te limpe
Dou por mim a reflectir sobre paradoxos
A falar em paradoxos
Leio e desleio
Como se existisse
Como se houvesse algo
És apenas aquilo que já não há
Que já nem existe
Mas continuas a ser o pó nas revistas
Nas canetas e nos pratos que em tempos usavas
Nas gavetas outrora desarrumadas
No lado direito da cama ainda permanece a forma do teu corpo
Ainda está lá a tua almofada com a nódoa que não quero tirar
O teu pijama sujo e usado pelo armário
Ainda
Ainda
(∞)
Não me vás. Fica.
Por favor
Deixa a mala aqui
Não arrumes as tuas coisas
Convida-me
Conta
Não te rias daquilo que não sei
Bom dia
Amo-te
"Se eu for o primeiro de nós dois a morrer,
Que o desgosto não ensombre muito tempo o céu.
Sê ousada, mas modesta no teu luto.
Há uma mudança, mas não um abandono.
Pois tal como a morte faz parte da vida,
Os mortos vivem para sempre nos vivos.
Aquilo que éramos, continuamos a ser,
Aquilo que tínhamos, continuamos a ter,
Um passado conjunto, imperecível no presente.
Por isso, quando caminhares pelos bosques onde outrora caminhámos,
E procurares em vão a minha sombra na margem sombria, a teu lado,
Ou parares onde sempre parávamos no monte, para olhar à nossa volta,
E ao avistares qualquer coisa, tentares dar-me a mão, pela força do hábito,
E, ao não encontrá-la, te sentires dominada pelo desgosto,
Pára, fecha os olhos, respira fundo.
Escuta os meus passos no teu coração.
Eu não me fui embora; só estou a caminhar dentro de ti."
in, «The Smoke Jumper»
Que o desgosto não ensombre muito tempo o céu.
Sê ousada, mas modesta no teu luto.
Há uma mudança, mas não um abandono.
Pois tal como a morte faz parte da vida,
Os mortos vivem para sempre nos vivos.
Aquilo que éramos, continuamos a ser,
Aquilo que tínhamos, continuamos a ter,
Um passado conjunto, imperecível no presente.
Por isso, quando caminhares pelos bosques onde outrora caminhámos,
E procurares em vão a minha sombra na margem sombria, a teu lado,
Ou parares onde sempre parávamos no monte, para olhar à nossa volta,
E ao avistares qualquer coisa, tentares dar-me a mão, pela força do hábito,
E, ao não encontrá-la, te sentires dominada pelo desgosto,
Pára, fecha os olhos, respira fundo.
Escuta os meus passos no teu coração.
Eu não me fui embora; só estou a caminhar dentro de ti."
in, «The Smoke Jumper»
ainda não
Ainda não, agora limito-me a ler ou a adormecer. Fecho os olhos com muita força e até me doem. Parece que as bolas negras de cada olho giram numa velocidade exorbitante e até dói. Limito-me a fechar os olhos e acabo por me manter acordada. É sempre assim. - Ou então as minhas orelhas movem-se a cada instante com os sons da casa, da rua, lá de fora ou cá de dentro. Ouço e assusto-me. - Ando feita vagabunda pelos corredores escuros. Descalça para não acordar ninguém e a apalpar todos os móveis para não tropeçar. Os meus pés já estão sujos e gastos. Assim como as minhas memórias. - Vejo a gata em cima do forno. Ainda não dorme. Está comigo. Os carros não param e isso enerva-me. As suas luzes até penetram a minha janela, ofuscam-me a vista e ainda desperto mais. aiiiiiiiiiiii
Ainda não, ainda não adormeci. Limito-me a escrever mal por linhas tortas. A ler o que os outros dizem, e bem! Ou a adormecer, até ficar consumida pelos meus sonhos.
Ainda não, ainda não adormeci. Limito-me a escrever mal por linhas tortas. A ler o que os outros dizem, e bem! Ou a adormecer, até ficar consumida pelos meus sonhos.
espera-me
Refiro-me sempre ao nada, ao amor que pode haver em mim que é uma amostra do que já não há, já não é. E meu amor, quando digo meu amor, refiro-me ao nada, pois é o que há… nada
Um coração cheio de nada. Umas mãos cheias de nada.
Sabes, ..., porra.
Há alguma coisa que queiras falar comigo, não. Por favor, pede-me um chá, bate à minha porta, pede por minha ajuda. Fala.
Eu dava-te flores, pedia-te flores, tulipas.
Há quem diga que me fumaste, não quero pensar que fui um vício em ti porque não fui.
Espera-me …
Um coração cheio de nada. Umas mãos cheias de nada.
Sabes, ..., porra.
Há alguma coisa que queiras falar comigo, não. Por favor, pede-me um chá, bate à minha porta, pede por minha ajuda. Fala.
Eu dava-te flores, pedia-te flores, tulipas.
Há quem diga que me fumaste, não quero pensar que fui um vício em ti porque não fui.
Espera-me …
isto
E foi quando estava caída sobre a mesa
Como quem morre a escrever
E caí sobre a mesa com o rosto espalmado
Senti aquele doce perfume que me parecia já conhecido
Era doce, mas entrava pelas minhas narinas bruscamente
Como quem entra à força
O facto de ser um perfume já conhecido assustava-me
E foi quando levantei a cabeça
Como quem ressuscita
E vi-te
Podia fugir, gritar ou insultar-te
Merecias meu cabrão
(meu não)
E foi então que me lembrei que um dia
Te pedi para pores esse perfume doce
Para o poder cheirar ao longe e não me assustar com a tua presença
Não te esqueceste
Treta ou não, não te esqueces
Sem nenhuma palavra dita ou ouvida
Meu amor, eu acordei
(quando menos queria, eu acordei)
Como quem morre a escrever
E caí sobre a mesa com o rosto espalmado
Senti aquele doce perfume que me parecia já conhecido
Era doce, mas entrava pelas minhas narinas bruscamente
Como quem entra à força
O facto de ser um perfume já conhecido assustava-me
E foi quando levantei a cabeça
Como quem ressuscita
E vi-te
Podia fugir, gritar ou insultar-te
Merecias meu cabrão
(meu não)
E foi então que me lembrei que um dia
Te pedi para pores esse perfume doce
Para o poder cheirar ao longe e não me assustar com a tua presença
Não te esqueceste
Treta ou não, não te esqueces
Sem nenhuma palavra dita ou ouvida
Meu amor, eu acordei
(quando menos queria, eu acordei)
where the text have no name
Em tempos, o chão que pisavas era eu.
Agora é feito de palavras tuas por onde tropeço...
Agora é feito de palavras tuas por onde tropeço...
como
Como se um dia chovesse para sempre. Como se um dia as gotas pesadas tentassem penetrar na pele à força. Como se um dias as gotas molhassem as ruas para sempre, humedecessem as roupas para sempre, escurecessem as paredes para sempre, fizesse ruir todos os telhados para sempre.
Como se um dia essa chuva fosse minha, essas gotas fosse lágrimas. O céu cinzento fosse cegueira. Os telhados quebrados fossem fraquezas.
Como se um dia fosse…
Fosse tudo um sonho e o sol voltasse a iluminar toda a escuridão, todo o caminho. Abrisse as portas para a luz do dia.
Como se tudo fosse um sonho e não passasse disso, um sonho…
Como se um dia essa chuva fosse minha, essas gotas fosse lágrimas. O céu cinzento fosse cegueira. Os telhados quebrados fossem fraquezas.
Como se um dia fosse…
Fosse tudo um sonho e o sol voltasse a iluminar toda a escuridão, todo o caminho. Abrisse as portas para a luz do dia.
Como se tudo fosse um sonho e não passasse disso, um sonho…
Dantes
Como quando o vento soprava o seu cabelo e ela sorria, escondia todos os seus problemas por trás daquele guarda-chuva colorido que lhe dava certa graça e ela usava-o para ter a graça que não tinha. Quando chovia, era o guarda-chuva que a abrigava de todos os males, de todos os seus medos, de todas as suas angústias. Outrora não caminhava sozinha, ele escondera-se com ela naquele alegre guarda-chuva e juntos, juntos avançavam na tempestade de chuva e vento que puxava os cabelos de ambos, quase como que arrancando. Ninguém sabia. Ninguém desconfiava. Ela disfarçava e sorria. Outrora tinha o seu lado direito preenchido. Outrora ele estava lá. Outrora ele lembrava-se dela. Outrora…
Subscrever:
Mensagens (Atom)